Motivos da Greve e Mobilização dos Sindicatos
Em Assembleia conjunta realizada em 13 de outubro de 2026, no estacionamento do Paço Municipal Ignácio Kampa, os Sindicatos dos Servidores do Magistério Municipal de Araucária (SISMMAR) e do Funcionalismo de Araucária (SIFAR) decidiram encerrar a greve que havia começado em 29 de setembro e durou nove dias. A mobilização foi motivada pela proposta de alteração da Lei Orgânica Municipal, que aumentava os poderes do gestor sobre o Fundo de Previdência do Município, além de atacar a atuação dos dirigentes sindicais e do Conselho Municipal de Saúde.
Durante a greve, os docentes e servidores enfrentaram a falta de diálogo e a resistência do governo em atender suas reivindicações. Embora tenham solicitado uma audiência com o prefeito, isso nunca ocorreu. Os mobilizados ocuparam a prefeitura por duas noites, exigindo a retirada dos Projetos de Lei que afetavam seus direitos, além de propor textos alternativos para discussão.
Pautas Aprovadas e Propostas Futuras
Com o fim da greve, as entidades sindicais aprovaram propostas para continuar a luta pela manutenção dos direitos e pela melhoria do serviço público. As unidades educacionais enfrentam problemas estruturais e de recursos humanos, com falta de professores e condições inadequadas de trabalho. Os participantes da Assembleia concordaram em adotar diversas medidas, incluindo a reposição dos dias de greve sem desconto salarial, denunciar as condições de trabalho em Araucária e intensificar a mobilização.

Dentre as ações futuras, também foi decidido fortalecer o movimento de mães, criar um fundo de greve e incentivar a participação nos sindicatos. Além disso, um Projeto de Lei de iniciativa popular será apresentado para proteger o Fundo de Previdência, caso o governo não cumpra com os acordos.
Novos membros foram eleitos para o Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, que terá o compromisso de fiscalizar a aplicação dos recursos para garantir a qualidade na educação.
Aprovação da Proposta de Emenda à Lei Orgânica
Mesmo após insistentes pedidos dos sindicatos para a retirada da Proposta de Emenda à Lei Orgânica Municipal (PELO) nº 11/2026, a proposta foi aprovada na Câmara de Vereadores sem alterações. O texto original, considerado antidemocrático e antissindical, resultou em intensa mobilização dos trabalhadores. A administração municipal se comprometeu em reunião anterior a alterar o texto em desacordo, mas não cumpriu a promessa.
A pressão para discutir a proposta com a comunidade foi ignorada pelas autoridades, demonstrando a falta de independência entre os Poderes e a resistência em dialogar com a sociedade civil. Essa situação levou os sindicatos a manterem sua vigilância e luta em prol de um melhor entendimento sobre os direitos da classe trabalhadora.
Reposição dos Dias Parados
Uma reunião foi realizada em 7 de outubro para debater a reposição dos dias parados durante a greve. Foram propostos dias de reposição que incluiriam o período de recesso, o que gerou insatisfação entre os educadores. A construção de um calendário alternativo será feita com a participação de toda a comunidade escolar, buscando atender às necessidades de professores e estudantes.
As discussões ressaltaram a necessidade de uma reposição que considere mais adequada a realidade do Magistério, garantindo que as aulas sejam ministeriadas de forma integral e que não sejam prejudicadas pelos dias de paralisação.
Movimento de Greve e Expectativas Futuras
O movimento de greve em Araucária se destacou como um dos mais significativos nos últimos anos, refletindo a insatisfação com a gestão das políticas públicas e o mau uso dos recursos municipais. Os sindicatos observam que, apesar da decisão de encerrar a greve, o estado de greve permanece, permitindo novas mobilizações caso as reivindicações não sejam atendidas.
Os ataques aos servidores públicos já são uma situação recorrente, com reajustes salariais abaixo da inflação e diferentes insatisfações se acumulando. As expectativas a respeito do pagamento do 13º salário também geram apreensão, dado o histórico de atrasos e a falta de compromisso da administração. O quadro atual reforça a necessidade de continuação do diálogo e de ações coletivas por parte dos sindicatos, que estão atentos às movimentações da prefeitura em relação aos direitos trabalhistas.

