Desigualdades estruturais na urbanização
O processo de urbanização no Brasil, especialmente no século XX, gerou cidades que, apesar da intensa integração econômica e da circulação de pessoas e mercadorias, são marcadas por profundas desigualdades estruturais. As áreas centrais costumam ser bem desenvolvidas, enquanto as periferias enfrentam grandes dificuldades de acesso a serviços e infraestrutura adequados. Essa realidade impõe uma segregação que segmenta não apenas o espaço urbano, mas também as diversas classes sociais que habitam essas áreas.
As diferentes formas de segregação — por classe social, raça, etnia e gênero — são amplificadas por um mercado imobiliário que privilegia a população mais rica. Assim, os bairros melhor localizados estão ao alcance apenas dos que possuem maior poder aquisitivo, enquanto os menos favorecidos se veem relegados às periferias, onde os serviços públicos são escassos e as condições de vida são precárias. Essa situação é uma consequência direta de um planejamento urbano que muitas vezes legitima e perpetua a desigualdade, resultando em uma metrópole fragmentada.
Segregação social e urbana em Curitiba
Em Curitiba, a ideia de “qualidade de vida” e “urbanismo inovador” tem sido restringida às classes sociais mais altas, que habitam os bairros mais nobres da cidade. O planejamento urbano que favorece estratos sociais mais abastados se traduz numa realidade onde os pobres são empurrados para regiões periféricas e marginalizadas, em áreas com infraestrutura insuficiente e serviços básicos inadequados. Este fenômeno corrobora a formação de uma metrópole fragmentada.
A Região Metropolitana de Curitiba (RMC) é composta por 29 municípios, mas sua gestão política é completamente fragmentada, o que gera desigualdade em todos os níveis. Embora o governo do estado tenha tentado institucionalizar um núcleo urbano central (Nuc) com os municípios mais integrados ao redor de Curitiba, essa abordagem tem falhado em representar adequadamente a diversidade e as necessidades dos diferentes municípios da região. A centralização de recursos e investimentos em poucos municípios agrava a desigualdade e perpetua o debate sobre a metropolização desigual e segregada, refletindo uma estrutura que favorece uns poucos em detrimento da maioria.



